O Amor e a Sua Fome
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Sinopse
«- Esmê, você acha que um dia minha mãe vai aparecer?
- Não, Dora. Mas não precisa se preocupar com isso, porque eu já dei minha mãe pra ser sua mãe. A Inês também pode ser sua mãe, eu também posso ser, porque sou mais velha. Você pode ter quantas mães quiser, Dorinha. E nós vamos viver juntas, pra sempre juntas.»
Numa pequena cidade do interior brasileiro, Dora cresce sem mãe e com um pai emocionalmente ausente. Dentro de si há uma fome, persistente e incurável, que a faz querer engolir o mundo - talvez antes que o mundo a engula a ela. Só Esmê parece capaz de conter essa insaciabilidade: unidas por uma ligação absoluta, as duas crescem como se fossem uma só. Contudo, a vida adulta revela-lhes uma brutal certeza e lança a pergunta: pode um amor nascido da fome saciar coisa alguma?
Aclamado pelo público e pela crítica, O Amor e a Sua Fome foi finalista do Prémio Jabuti 2025 na categoria Romance de Entretenimento. Com uma linguagem que recusa delicadeza e exige confronto, Lorena Portela confirma-se como uma das vozes mais contundentes da ficção brasileira contemporânea, escrevendo sem concessões sobre uma verdade que tantos temem enfrentar: o mundo não se engole - e a fome não se cala.
Detalhes
- Título Original O Amor e sua Fome
- Categoria Ficção
- Sub-categoria Romance Contemporâneo
- ISBN 9789899254732
- Nº de Páginas 176
- Data de Lançamento 4/2026
- Dimensões n/a
- Formato Capa Mole
- Peso 100g
Citações
- «A fome que eu carregava por onde andava, meio tonta, o cérebro pra lá e pra cá, plec, plec, plec, porque fome é uma venda ajustada perfeitamente nos olhos a ponto de cegar a gente, e eu caminhava subnutrida, um esqueleto, apesar de saudável, de ter carnes sobre meus ossos e cor na minha bochecha. Eu comia de um tudo e a fome me mordia de volta.»
- «Miradouro era uma cidade interessante pra se ter oito anos: na mesma casa onde, na sala, um morto de pé podre morria de tédio por dentro, horas sem fim deitado num caixão ouvindo lamento de gente viva, prestes a ir pra debaixo da terra com a santinha e o menino no bolso, no quintal dessa mesma casa, eu, uma menina sem mãe e quase sem pai, contava cavalos-marinhos no céu, comia pipoca gordurosa e dançava sem aplausos, embalada pela alegria da única promessa a que podia me apegar: a Esmê e eu, primas, irmãs, mães, filhas, juntas pra sempre.»
- «A Esmê, o Jaime, eu. Inventando outro planeta, dando novos nomes às plantas, repovoando as terras vazias, os vazios da gente, esses que todo mundo tem, criando poderes, vencendo as guerras, calando os carrascos, construindo um atalho pro céu. O rio era o céu, o único que existia.
Críticas
- «É impossível terminar este livro sem sentir que estivemos mesmo lá, em Rio do Miradouro, com as protagonistas desta história.»Rita da Nova