De Portugal para o topo da indústria automóvel global: a história de Carlos Tavares

De Portugal para o topo da indústria automóvel global: a história de Carlos Tavares

O português que revolucionou a indústria automóvel mundial.

Num dos setores mais competitivos do planeta, Carlos Tavares impôs-se como um grande líder da indústria. 

Poucos ramos são tão implacáveis como o da indústria automóvel. Num mercado que vive sempre no limite, uma decisão errada pode custar milhões de euros e eliminar milhares de postos de trabalho, mas não tomar decisões pode ser igualmente fatal. Neste negócio, só os mais fortes sobrevivem. E só os verdadeiros líderes chegam ao topo.

Carlos Tavares não chegou apenas lá: revolucionou para sempre o segmento automóvel. Após uma carreira notável na Renault, o empresário português assumiu a presidência do grupo PSA e liderou a sua recuperação financeira, abrindo caminho à fusão com a Fiat-Chrysler e à criação da Stellantis, atualmente um dos maiores grupos automóveis do mundo.

 

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Nesta autobiografia, Carlos Tavares apresenta-se como um homem movido pela disciplina e pela paixão. Entre decisões críticas, polémicas públicas e vitórias improváveis, revela-nos o que significa liderar num mundo em permanente mudança e como a visão estratégica, o rigor e a coragem para decidir fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso.

 

«Quando tive de escolher gestores, privilegiei sempre as personalidades em detrimento dos percursos profissionais. Para mim, o que conta nunca foi o conhecimento puro. O conhecimento é necessário, mas não é suficiente. O mais importante é reconhecer as pessoas que conseguem encontrar as soluções corretas quando confrontadas com uma dificuldade.»

 

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3 REGRAS DE LIDERANÇA DE CARLOS TAVARES

Carlos Tavares é o português mais poderoso da indústria automóvel mundial.

Mas o que podemos aprender com a sua carreira?

 

Primeira lição

Não é possível gerir uma empresa sem nos envolvermos emocionalmente e sem criar uma dimensão empática nas relações humanas. Um líder pede às suas equipas que se envolvam totalmente; não pode ser frio. Esta lição vem do desporto, onde o afeto é essencial. Gerir uma empresa em benefício das suas partes interessadas, como se costuma dizer — clientes, parceiros e acionistas —, é como gerir uma equipa desportiva. Compreendi isto quando trabalhei com Carlos Ghosn. Ensinou-me praticamente tudo sobre negócios, mas nunca demonstrou qualquer afeto pelos seus empregados ou pelas suas equipas. Custou-lhe muito caro, e perdeu certamente muitas oportunidades e bons momentos.

 

Segunda lição
A verdade é indispensável nas relações profissionais. Nos negócios, há momentos difíceis, momentos de reconhecimento e momentos de cumplicidade. Sim, temos de dizer às pessoas o que temos para lhes dizer. Muitas das opiniões que tive sobre mim giraram sempre em torno da ideia de que sou duro (tough), mas justo (fair). Sempre tentei fazer o que digo, e isso parece ser uma fraqueza no mundo atual. O drama do mundo ocidental é a demagogia. Os Estados Unidos são mesmo uma caricatura neste domínio. Estamos sempre a felicitar toda a gente, mesmo quando cometem erros e fazem coisas estúpidas. Ao fim de algum tempo, não faz sentido, é totalmente vazio de sentido. É preciso felicitar alguém quando faz algo bom e quando o resultado é positivo. Mas, quando as coisas não estão a correr bem, diz-se-lhe, explica-se porquê e aponta-se o caminho para a melhoria. Se tivermos de abanar toda a gente numa reunião, fazemo-lo.

 

Terceira lição

É preciso ser-se metódico. Metódico na forma como se abordam os problemas, metódico na forma como se organizam as discussões e metódico na forma como se tomam decisões. Nunca deve deixar-se dominar pela montanha de problemas a resolver. Se o fizer, é uma avalanche, e o líder sufoca. Evitar a saturação mental continua a ser a chave.
A gestão é um exercício de controlo das próprias emoções, tendo em conta que o gestor também é um ser humano e tem o seu próprio equilíbrio ou desequilíbrio para gerir. Ser metódico na abordagem dos problemas permite-lhe manter as suas emoções a um nível controlável. [...]

in Carlos Tavares - Uma Autobiografia, pág. 181-183

 

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