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17,50 €

Nº na Coleção: 633
Data 1ª Edição: 21/04/2016
Nº de Edição:
ISBN: 978-972-23-5826-2
Nº de Páginas: 272
Dimensões: 150x230mm

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As Altas Montanhas de Portugal
por Yann Martel (Autor)

As Altas Montanhas de Portugal leva-nos numa viagem pelo Portugal do século passado que é também uma viagem interior.

Na Lisboa de 1904, um jovem chamado Tomás descobre um diário antigo onde é mencionado um artefacto extraordinário que poderá redefinir a história. Ao volante de um dos primeiros automóveis da Europa, Tomás aventura-se pelo país em busca deste objeto invulgar.

Trinta e cinco anos depois, em Bragança, um patologista, leitor voraz dos romances de Agatha Christie, vê-se enredado num mistério que é consequência da demanda que Tomás levara a cabo.

Décadas mais tarde, um senador canadiano refugia-se numa aldeia no Norte de Portugal após a morte da mulher. Com ele traz um companheiro invulgar: um chimpanzé. E eis que é desvendado por fim um mistério com cem anos.

As Altas Montanhas de Portugal é um romance original e empolgante que explora com mestria questões prementes da condição humana.


Comentários:
"Contém SPOILERS!

Haverá melhor lugar para discorrer sobre a religião (e a sua provável mas real relação com a ciência) do que as idílicas paisagens rochosas e montanhosas de natureza refrescante e gelada de Trás-os-Montes (mal traduzida pelo autor, numa procura infrutífera de altas montanhas num Portugal serrano), espaçadas por 3 épocas distintas (ou 3 histórias estanques, que no final apresentam um entrançado interligado)?
No início do século, conhece-se um curador de museu que, numa jornada, às arrecuas, contra a dor e rumo ao esquecimento de um amor perdido (essa casa com muitos quartos), empreende uma dura viagem pelas ?estradas? rurais entre a capital e Trás-os-Montes, calcaroadas não pelo alcatrão mas por um medo constante face à nova máquina, transformando esta parte história quase numa epopeia do automóvel e da sua intricada mecânica do movimento. Mas esta viagem tem uma razão bem definida: descortinar um segredo evolucionista ou revolucionário encerrado numa qualquer capelinha transmontana (entre terras isoladas que me dizem tanto pelas raízes a elas me ligam) - os locais onde os cânticos se devem elevar a fé, podendo por vezes esta disfarçar uma humana arrogância - por um padre evangelizador da época dos Descobrimentos, em campanhas de literacia religiosa para os povos que infelizes na terra transformada, praticam geofagia num acto de desesperança total. Ao blafesmar, considerando a religião como castigo de Deus, consuma-se um pecado vital mais que moral, que culmina com a frase ?levaste o meu filho, levo agora o teu!?, ao reduzir Cristo a um mero símio porque na realidade ?somos todos símios que um dia se elevaram e não anjos caídos?.
Décadas passadas, surge um médico legista sonhador e aprisionado num passado amado mas amargurado (onde ele era o lavrador singelo e a sua amada o sol, a chuva e o terreno fértil; ele com o dom de ouvir complementava o dom da palavra dela), que vê as suas confabulações serem interrompidas por um pedido estranho feito por uma viva idosa aldeã das serranas terras transmontanas: após a descoberta do sexo com o seu companheiro de vida (?o selo tem prazer em ser lambido e colado no sobrescrito, que por sua vez tem prazer em recebê-lo?), tem como último desejo assistir à sua autópsia, para ver com os próprios olhos o verdadeiro relicário que o preenchia e perceber o ?porquê da sua vida? - porque ?a morte se mascara muitas vezes de vida? -, após uma jornada de transporte atribulada. Entre estes assuntos mórbidos, surge a paixão do médico pelos romances de Agatha Christie e a sua comparação primorosa com os Evangelhos: em ambos existem tantos suspeitos como discípulos (12 mais precisamente n??Um Crime do Expresso Oriente?); em ambos existem traidores inesperados; em ambos existem homens com o dom da palavra falada, uns que discorrem sobre a percepção das pistas e a resolução dos casos, outros que contam parábolas, que cada um entende à sua maneira; em ambos se advoga o dom de ouvir os outros para no fim se pronunciar um juízo final, como após a compravação da morte veio a explicação da ressurreição. Advogando e reiterando a santidade de Cristo, homem dos milagres do corpo e dos de interpretação, é apontado o dedo ao real culpado pela sua morte: o homem anónimo, que calado e amedrontado, nada fez contra os vis actos perpetrados.
Décadas mais tarde, é contada a história de um deputado canadiano, com uma vida azafamada, que, na fase descendente da vida, após a morte da mulher, o abandono do filho e o desprezo da neta, embarca numa jornada, entre a religião e a ciência, refazendo a jornada do primeiro protagonista, com a companhia inesperada de um chimpanzé. Relembrando um Portugal de outrora (com um escudo corriqueiro, com um linguajar pesaroso e arrastado), estes estranhos companheiros de viagem vão aprendendo um com o outro e, na busca pelo rinoceronte ibérico há muito extinto, que o humano aprende a macaquear o símio dotado, até conseguir existir apenas no tempo, sem mais preocupações, como um homem que, sentado à beira-rio, vê a água fluir.
Como é que estas histórias tão díspares se conectam? Apesar da parca idealização de Portugal, apresenta-se um roteiro por itinerários conhecidos mas descritos por alguém que não os domina tão bem, empreendendo-se uma única viagem, em três tempos diferentes, numa derradeira busca pela simples condição humana, quer em termos religiosos quer em termos evolucionistas, para no final alguém referir que ?a vida nada mais é que uma tentativa de se sentir em casa enquanto se corre para o esquecimento?."
colocado por João Barradas, em 10/8/2016
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Notícias
  • Yann Martel - Escritor | 15/6/2016, Fonte: Saraiva, José Cabrita, «Um romance é uma catedral dentro da cabeça», in Jornal SOL (11-6-16), pp. 36-37.
Citações
  • «A sua melhor obra desde A Vida de Pi. Extraordinário.» | Washington Post
  • «Tal como A Vida de Pi, este livro é ousado e inteligente na abordagem à existência e espiritualidade. Enche as medidas.» | San Francisco Chronicle
  • «Cheio de coisas belas e excecionais. Os leitores vão ficar encantados.» | The Times