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Sexo ilimitado

No livro As 1001 Fantasias Mais Eróticas e Selvagens da História, de Roser Amills, viaja-se pelas taras, manias e aventuras sexuais de figuras tão conhecidas como Freud, Elvis Presley ou Dalí. O Sol revela algumas das mais surpreendentes.

Quem não tem, ou pelo menos nunca teve, fantasias sexuais, que atire a primeira pedra. A escritora Roser Amills aventurou-se na descoberta das taras de figuras bem conhecidas - da atualidade, mas não só. Nomes como Oscar Wilde, Marilyn Monroe, Casanova, Freud, Dalí, Mick Jagger, Maria Antonieta, Madonna, Napoleão e Maria Callas constam nas páginas de As 1001 Fantasias Mais Eróticas e Selvagens da História (ed. Presença).

Para tal, a autora maiorquina, que se tem dedicado sobretudo à poesia, vasculhou biografias, entrevistas e correspondência de mil personalidades célebres e descobriu-lhes o mais íntimo dos pensamentos - deixando, no entanto, o pré-aviso de que, algumas das fantasias descritas, podem não passar de «fruto da imaginação de coetâneos e de biógrafos».

Num tom divertido e despreocupado, este livro parte da ideia de que o ser humano, como animal que pratica o sexo pelo prazer e não apenas pelo caráter reprodutivo, depende das fantasias. E estas fazem parte da mente humana. Podem ser mais ou menos rocambolescas, podem ser concretizadas ou nunca saírem do recanto mais obscuro da nossa mente, mas existem.

Dividido por 29 capítulos - com temas tão curiosos quanto 'Acustofilia, Sons do Sexo e Dizer Coisas Obscenas', 'Exibicionismo e Voyeurismo, Espiar, Perseguir e Vaidade', ou 'Zoofilia, Animaizinhos Traquinas' -, o grande objetivo desta obra, segundo Roser Amills, é quebrar barreiras. Conhecendo as fantasias e aventuras mais selvagens de figuras que servem de referências em campos que vão da música à filosofia, o indivíduo comum pode lidar com maior naturalidade com os seus próprios devaneios sexuais. Sem qualquer preconceito ou sentimento de culpa.  

Até porque, começa por escrever a autora: «Na cama, o pecado principal é aborrecer, e quantas mais fantasias sejamos capazes de compreender, melhor nos conhecemos».  

 
Sigmund Freud
Nomes de sobremesas na cama  
 
Pablo Chacón, em Los Conflictos Íntimos de los Hombres Célebres, conta que Freud, quando fazia amor com a sua mulher, Martha, sussurrava-lhe ao ouvido nomes de sobremesas enquanto a mantinha deitada de través na cama, com a cabeça suspensa fora do leito. Ela, para não perder o controlo, apelava às suas fantasias de infância, quando aos nove anos foi seduzida bruscamente pelo director da escola. (...)  
 
Mick Jagger e Marianne Faithful
Chocolate entre as pernas  
 
Na noite de 12 de Fevereiro de 1967, Keith Richards dava uma festa na sua casa de campo, em Redlands, onde estavam Mick Jagger, Marianne Faithfull [...], George Harrison, Pattie Boyd e mais seis pessoas. Harrison e Boyd saíram da festa precisamente antes da rusga que a polícia efetuou uns minutos depois. O inspetor-chefe Gordon Dinley pedira um mandato para busca de drogas, mas o certo foi que os agentes encontraram Jagger com a cabeça entre as pernas de Faithfull comendo um chocolate que lhe tinha introduzido na vagina. A cantora recorda o episódio na sua autobiografia. (...)  
 
Albert Einstein 
«Renunciarás às tuas relações comigo»
 
 
Althur Spiegelman recolheu a lista de normas que Einstein fez por escrito destinadas à sua primeira mulher, Mileva Maric, com instruções pormenorizadas sobre as suas relações: «a) Encarregar-te-ás de que: 1. A minha roupa esteja em ordem, 2. Me sirvam três refeições regulares em casa, 3. Que o meu quarto e o meu escritório estejam sempre em ordem e que ninguém toque na minha secretária, exceto eu. b) Renunciarás às tuas relações pessoais comigo, exceto quando estas sejam exigidas por aparência social. Em especial, não pedirás que: 1. Me sente junto a ti em casa, 2. Saia ou viaje contigo, c) Prometerás explicitamente observar os seguintes pontos quando estiveres em contacto comigo: 1. Não esperarás qualquer sinal de afeto da minha parte nem me censurarás por isso, 2. Responderás de imediato quando falar contigo, 3. Abandonarás de imediato o quarto ou o escritório sem protestar quando eu te disser, d) Não me denegrirás em frente das crianças, seja por palavras ou por atos».  
 
Truman Capote
Autógrafo no pénis  

 
«Sou alcoólico. Sou drogado. Sou homossexual. Sou um génio», deixou escrito Truman Capote. (...) Estava uma noite a jantar num restaurante de Nova Iorque quando se aproximou dele um grupo de mulheres que o tinham reconhecido e lhe pediram um autógrafo. O marido de uma delas, homofóbico e incomodado com tanta admiração, afirmou que era absurdo dedicar tanta atenção feminina a um homossexual e ele próprio aproximou-se da mesa do autor, desapertou as calças e sacou do pénis, sugerindo ao escritor que lho autografasse. Capote, imperturbável, examinou-o com atenção e respondeu-lhe: «Não sei se poderia assiná-lo, talvez pudesse apenas escrever as minhas iniciais».  
 
James Joyce
Cuecas aromatizadas
 
 
Sabiam que o nariz pode reconhecer até 10.000 odores separadamente? Talvez por uma especial sensibilidade erótica neste aspeto, Joyce, em Dezembro de 1919, escreveu a Nora, a sua amada esposa: «Minha doce e traquinas passarinha fornicadora. Aqui vai outra nota para comprares cuecas lindas ou ligas. Compra cuecas de puta, meu amor, e não te esqueças de as esfregar com algum aroma agradável e também de as manchares um pouquinho atrás». (...)  
 
Elvis Presley 
Pares a copularem e encontros lésbicos  

 
No filme biográfico Elvis, The Early Years, de James Stevin Sadwith, conta-se que o rei do rock gostava de ver outros a copularem e que se tornou um voyeur que não respeitava ninguém. Pagava bem a prostitutas para que fizessem sexo lésbico com ele como espetador. A Presley, impotente nos últimos anos da sua vida por causa dos estupefacientes que tomava, não faltavam voluntárias: «As groupies, ansiosas por passarem uma noite com o maior símbolo sexual do planeta, deparavam-se com um Elvis impotente que tinha perdido o controlo dos intestinos e da bexiga, o que significava que, por mais de uma vez, acordaram encontrando uma surpresa na cama». Elvis revelou a Priscilla alguns dos seus segredos, como os comprimidos para estimular ou para relaxar, e pediu-lhe que fizesse jogos lésbicos com outra mulher, ambas com roupa interior branca. (...)  
 
Júlio Iglesias
Fazê-lo antes de entrar em palco
 
 
O cantor espanhol revelou alguns dos seus segredos mais íntimos durante um concerto na estância balnear uruguaia de Punta del Este, incluindo confissões sexuais que fizeram corar muitas das suas fãs, que não queriam acreditar. Pai de oito filhos, Iglesias propôs um diálogo espontâneo com a plateia, com o sexo como fio condutor: «Imaginem que eu tinha uma ideia, ou um capricho, ou como lhe queiram chamar, que era o seguinte: não podia entrar em palco para cantar sem antes fazer amor. Então era como um coelho, 'pumba, pumba, pumba', e ia cantar», revelou. (...)  
 
Johann Wolfgang Goethe
Sapatos de dança
 
 
Lemos em Christiane und Goethe. Eine Recherche, de Sigrid Damm, que Goethe foi um fetichista comprovado de calçado, e existem algumas cartas dirigidas à sua amante em que lhe pede com insistência um par de sapatos gastos pela dança - Christiane Vulpius era capaz de dançar durante horas todos os dias - para que ele, de 54 anos e completamente apaixonado, voltasse «a possuir algo teu e apertá-los contra o meu coração». (...)  
 
Salvador Dalí  
Prepúcio com miolo de pão  

 
Como explica Javier Pérez Andújar em Salvador Dalí: a la Conquista de lo Irracional, o pintor, num momento de sono ligeiro, deliciou-se com o cheiro do seu sexo: «Tenho uma ereção e masturbo-me friccionando o pénis contra o meu ventre». A seguir meteu por baixo do prepúcio uma bolinha amassada de miolo de pão e, passado um pouco, levou-a ao bigode para a cheirar: «Está muito quente e tem um leve cheiro seminal. Volto a colocá-la ali, donde a tinha tirado, com a esperança de que, quanto mais tempo a deixe lá, mais forte será o cheiro».  
 
Errol Flynn 
Tocar piano com o pénis
 
 
Flynn elevou a galantaria ao seu nível máximo nos filmes da época de ouro de Hollywood, fazendo do modo como representava os seus papéis um modelo a seguir, tornando-se assim o herói maior do grande ecrã. Mas o cinema é pura magia e o tempo mostrou-nos que Errol Flynn, na sua vida real, carecia por completo de todos esses valores: segundo Marilyn Monroe, alta noite e já bêbado, Flynn tocava piano com o próprio membro nas suas festas privadas. (...) «Pôs-se a dar pancadas nas teclas com aquilo. Tocou 'You Are My Sunshine'  
 
Federico Fellini
Prostituta fascinante
 
 
Fellini explica-o numa entrevista que deu a Adrián Sapetti: «A prostituta é o contraponto essencial de uma mãe à italiana. Não se pode conceber uma sem a outra. E tal como a mãe nos alimentou e vestiu, com a mesma fatalidade, falo pelo menos da minha geração, a puta iniciou-nos na vida sexual. Todos estamos agradecidos a essas mulheres que realizaram os nossos desejos, as nossas esperanças e fantasias, e as transformaram em algo quase sempre pobre e mesquinho, mas de qualquer maneira fantástico. É por isso que a prostituta, criatura infernal, conserva apesar disso o poder e o fascínio daquilo que parece evocado de um modo ultraterreno (...)  
 
Frank Sinatra 
Em cima da mesa da cozinha  

 
Marilyn Monroe também faz parte da lista de amantes do galã de olhos azuis. «Uma noite, Marilyn, juntamente com muitos outros amigos, ficou a dormir em casa de Sinatra. (...) Marilyn estava a passar por uma época de depressão e Sinatra, que começava a recuperar dos seus maus momentos, tinha medo de uma recaída. Mas nessa noite, em sua casa, Sinatra levantou-se para ir buscar um copo de água e encontrou Marilyn na cozinha, com aquele pijama tão peculiar que ela costumava usar: apenas umas gotinhas de Chanel n.° 5. Não resistiu e aconteceu um tórrido romance entre os dois, ali mesmo em cima da mesa da cozinha», relata Javier Marquez em Rat Pack, Viviendo a su Manera, uma compilação de peripécias sobre Sinatra.  
 
Adolf Hitler 
Strippers das SS
 
 
Eva Braun queixava-se, nos seus diários, de que o Hitler era um homem cheio de complexos e que só a utilizava para o sexo; que era um pervertido, sadomasoquista, com tendências homossexuais e que, com ele, a vida sexual era desastrosa para ela. Sem dúvida que a vida sexual deste homem era tudo menos normal: convidava com frequência strippers que olhava atentamente com binóculos para não perder qualquer pormenor. Gostava que se vestissem com casacos de couro, botas brilhantes, jóias com suásticas, correntes, chicotes, uma paixão que era partilhada pelos seus oficiais das SS, a sua guarda pessoal. A relação do Führer com as mulheres, excetuando as suas duas relações regulares, era utilitária: «Mandavam que as jovens se despissem e se deitassem sobre o cavalete do ginásio, onde os SS, e também Hitler, as inspecionavam e por vezes violentavam», conta Erik Keitner, ex-oficial das SS.  
 
Patti Smith
Escrever e masturbar-se  

 
Nos seus diários , Patti conta a sua experiência com a escrita e a masturbação: «Não considero que escrever seja um ato silencioso, introspetivo. É um ato físico. Quando estou em casa, com a minha máquina de escrever, fico louca. Caminho como um macaco. Humedeço-me. Tenho orgasmos. Em vez de injetar heroína, masturbo-me 14 vezes seguidas. Tenho visões». (...)  
 
Benito Mussolini 
Como um leão, um macaco, um cão...
 
 
«Fazer amor vivifica as ideias, ajuda o cérebro; gostaria de saltar daqui para a tua cama como um tigre». Mussolini era brutal, também na cama. Quem o deixa bem claro é a sua amante, Clara Petacci, Claretta, nos diários que escreveu nos anos 30, que relatam com todo o pormenor os seus encontros sexuais com Il Duce. Tinha quase o dobro da sua idade. «Se tivesse podido, ter-te-ia penetrado com um cavalo», dizia-lhe, por exemplo. E identificava-se também com o coito do touro: «Magnífico, grandioso; em poucos segundos termina; no momento culminante é terrível, num momento depois fica calmo e retira-se, melancólico; a vaca mantém-se imóvel, tranquila».  Os piropos zoofílicos correspondem a telefonemas de 1938, de entre a dúzia que o ditador lhe fazia todos os dias sem falhar, para controlar onde estava e o que fazia a sua 'menina'. (...) Ela, para o acompanhar no jogo, também se dirigia a ele utilizando imagens animais: «Façamos amor e grita como um animal ferido»; «És impulsivo, bestial. Um cão, um gato, um macaco». E mais: «És agressivo como um leão, violento e majestoso».

Data de publicação: 26/4/2013
Fonte: SOL/ Tabu
Jornalista: Raquel Carrilho