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VOLTAR INÍCIO AUTORES RUY CINATTI
Ruy Cinatti
PORTUGAL


Ruy Cinnatti licenciou-se pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa em 1941 e estudou Etnologia e Antropologia em Oxford. Desempenhou as funções de meteorologista aeronáutico da Pan-American Airways, e foi chefe de gabinete do governador de Timor, onde desenvolveu uma intensa actividade como fitogeógrafo fazendo várias descobertas, o que levou à classificação, na Holanda, de duas plantas com o seu nome. Mais tarde foi nomeado chefe dos Serviços de Agricultura do Governo de Timor. Foi em 1956 que começou o seu trabalho de investigador na Junta de Investigação do Ultramar. Regressa a Timor (1961 a 1963), fazendo um juramento de sangue com duas famílias timorenses. A partir de 1966 encontrou-se proibido de voltar a Timor, instalando-se definitivamente em Lisboa no ano seguinte, numa casa perto da Praça do Príncipe Real. Os seus primeiros versos são publicados no Colégio Nun?Ál-vares (1932), revelando-se, desde logo, um espírito atento, particularmente interessado pela natureza, fonte primeira de uma vida imaginária e de toda a sua aventura espiritual. Com Ossobó (1936), Cinatti alcança uma naturalidade habilmente conseguida, captando o efémero, o fugidio e o transitório numa poesia rigorosa, plena de sonoridades e ritmos de grande beleza. Com José Blanc de Portugal e Tomás Kim coordenou (1940 a 1953) a revista Cadernos de Poesia, projecto ao qual se junta Jorge de Sena. Em 1942, paralelamente, criou a revista Aventura, cujos cinco números saem até 1944. Colaborou ainda noutros jornais e revistas, entre os quais o jornal Acção. Poeta sempre em busca de si próprio, questiona, de forma sistemática, as suas convicções, angustiando-se nas dúvidas e incertezas, revelando muitos dos seus poemas, renovada fidelidade à esperança de redenção do Homem através da fé religiosa e do amor, encarando como uma disponibilidade para ler o mundo e os outros, sempre na certeza da existência de um mistério essencial do ser, a génese da sua criatividade. Ruy Cinatti poeta, é hoje considerado ímpar na literatura portuguesa deste século, pelo compromisso apenas assumido consigo próprio, pelo tipo de imaginação enleada no real, pelo génio aventureiro de português andarilho, homem de acção e místico, inventor de uma toada nova e de um ritmo aparentemente simples, geradores de uma obra admirável.

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